Ela olhou suas unhas roídas, hábito que há tanto havia deixado de cultivar. Elas são a incontestável confirmação do algo que está desencaixado. Obstruindo.
Até seus demônios resolveram aparecer, logo antes da hora de se deitar. Velhos conhecidos insistindo em voltar e fazer companhia no momento propício. Ela só quer dormir, esperando que os dias passem rápido e que os sonos sejam longos.
Ela só quer dormir e acordar num dia que não fosse o mesmo.
Ultimamente suas entranhas reviram e queimam. Será outro indício? Seus líquidos travando uma batalha diária na tentativa de eliminar o sujeito estranho. Um intruso.
Se o errado está tão certo. Por que não mudar?
segunda-feira, maio 23
domingo, maio 22
Tentando entender
Está tudo aí clamando por compreensão. Só que a gente vê como quer.
É que quando é a hora da gente ver e entender, tudo volta e reaparece.
Mas aí, a gente tem que olhar do jeito certo e é nisso que está o problema. Porque a alma é pequena, ou a cabeça muito grande e o homem, acomodado.
[três anos depois que escrevi isso, João Ubaldo me explicou o que realmente acontece, e o tempo me permitiu entender:
"Ignora-se o que, nessa calmaria antes do nascer do sol, pensam os grandes velhos como ele e ninguém lhe perguntaria nada, porque, mesmo que ele se dispusesse a responder, não entenderiam plenamente as respostas e dúvidas mais fundas sobreviriam de imediato, pois é sempre assim, quando se tenta conhecer o que o tempo ainda não autoriza".]
É que quando é a hora da gente ver e entender, tudo volta e reaparece.
Mas aí, a gente tem que olhar do jeito certo e é nisso que está o problema. Porque a alma é pequena, ou a cabeça muito grande e o homem, acomodado.
[três anos depois que escrevi isso, João Ubaldo me explicou o que realmente acontece, e o tempo me permitiu entender:
"Ignora-se o que, nessa calmaria antes do nascer do sol, pensam os grandes velhos como ele e ninguém lhe perguntaria nada, porque, mesmo que ele se dispusesse a responder, não entenderiam plenamente as respostas e dúvidas mais fundas sobreviriam de imediato, pois é sempre assim, quando se tenta conhecer o que o tempo ainda não autoriza".]
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