segunda-feira, dezembro 31

Ano Novo

Esses dias me lembraram de um frase que escrevi aqui em dezembro de 2008 (http://minhasaida.blogspot.com.br/2008/12/new-year.html) - "o ano sempre muda mas você não"

Desde então ela esteve aí inconscientemente presente. E quando, hoje, parei pra pensar de novo, decidi complementar.

Continuo extremamente crítica às promessas e devoções ao iluminado novo ano que está por vir. Nem de longe, será a mudança de um número no final do cabeçalho e uma série de rituais e tradições que fará você mudar seus velhos hábitos que há tempos você tenta esquecer nesse ano que passa.

No entanto, não vou negar que ao final de uma contagem regressiva gritada em conjunto parece entrar um fôlego adicional nos pulmões. A chance ilusória (com aspas de realidade) de recomeçar do zero e acertar tudo o que não deu certo.
Só que teimo em completar que a mudança não está nos rituais, na sua roupa, nem mesmo no lugar que você passa a virada ou com que pessoas que você comemora. Que me perdoem a pieguisse mas, de fato, a mudança é sua e só.

"[...]
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade

Reformulando a minha antiga frase "O ano sempre muda, você, dificilmente"

quinta-feira, dezembro 27

Karamázovi

"Escuta. Nos sonhos, sobretudo durante os pesadelos que provêm dum desarranjo de estômago ou de outra coisa, o homem tem por vêzes visões tão belas, cenas da vida real tão complicadas, atravessa tal sucessão de acontecimentos, de peripécias inesperadas, desde as manifestações mais altas até as menores bagatelas, que juro-te, o próprio Liev Tolstói não as imaginaria. Entretanto êsses sonhos ocorrem não aos escritores, mas a pessoas comuns: funcionários, jornalistas, popes... Um ministro chegou a confessar-me que suas melhores idéias lhe vinham quando dormia. É o mesmo agora; digo coisas originais, que nunca te vieram ao espírito, como nos pesadelos, entretanto, não sou senão tua alucinação."

O DIABO. A ALUCINAÇÃO DE IVÃ FIÓDOROVITCH

quinta-feira, dezembro 13

121112

"quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros"