eu queria escrever sobre o descaso, sobre o descaso que sinto das pessoas que cruzo. talvez seja a minha própria ânsia de criar laços mais aprofundados ou então a timidez de de fato criá-los. o caso é que perdi a vontade de criar relações por conveniência. a preguiça de se ouvir os mesmos padrões repetidos, tantas insistentes vezes. a falta de substância. será que o descaso é o meu?
lembrei de um espetáculo do grupo galpão, o Nós, em que eles representam (além de outras coisas), com afinação, a ciclicidade do que eu vi como um domingo em família. o nosso patético estilo de cair na rotina repetidas vezes. de fazer da vida uma dança coreografada que seguimos de olhos fechados. são breves contratempos que nos tiram do ritmo vez ou outra, mas sempre voltamos. sempre voltamos. voltamos para a dança onde pessoas passam pelo palco e nós não trocamos o passo, não mudamos o ritmo. e elas saem e entram e a gente continua.
e fica o vazio, porque algo passou e nada aconteceu. nem em mim e nem em você. e ficamos assim no vazio.