sexta-feira, abril 20

por hoje

vou mergulhar nesse escuro azul
sensação maluca de não ter domínio algum
estranheza de não ter chão
desespero da possibilidade do fim
dessa fonte inesgotável

e se minha casa fosse o mar?
os questionamentos seriam outros?
estranharia eu, a terra? o ar? a gravidade?
se vivesse lá, impressão que tudo seria mais leve.
mas a gravidade ao contrário
me traria de volta pra terra

e quando o sol estivesse chegando perto
as bolhas se acabando,
alcançaria à superfície.

perceberia o que tudo isso é, significa, ou tenta
metade terra, metade água
metade alívio, metade medo
e assim o inconsciente me diria:
toma,
esse teu gole de vida.






segunda-feira, abril 9

À Lina - Trupe Chá de Boldo

"A noite, é uma pantera preta caminhando lá em cima.
Meia noite exatamente,
ponho muitas coisas de lado enquanto ando na madrugada pintura,
vou largando os meus medos e tudo mais.
A medida que dou um novo passo.
E a paisagem, se transforma.
Na primeira encruzilhada paro.
retiro do bolso uma caixa de fósforos e um par de velas.
Dou um gole antes de colocar a garrafa ao lado do poste.
Acendo uma a uma as velas,
velas vermelhas.
Num som da garganta visceral como bolha subindo,
esse sentimento querendo estourar as paredes do corpo,
as mãos frementes, vibrando por causa de correntes energéticas eróticas.
A cabeça ameniando, os ombros saracuteando.
Tudo junto.
Numa sincronia estranha,
que nem gato no telhado gemendo alto,
um jeito bichona de falar o final das palavras.
Imagens absurdas,
é tudo permitido!
O respeito se acabou e tudo!
E o suor emitindo odores de animais,
uma bomba irradiando sua força,
fazendo a pelve se mexer freneticamente!

Devo pedir o que não se deve.
Tudo em desperdício.
Apareça, Dionísio seu filho da puta!
Apareça, Dionísio paixão!
Sou então tomado de assalto por suores muito loucos,
salivação perturbadora.
Fico rubro,
com fogo no rabo.
Apareça, Dionísio, seu filho da puta!
Apareça, Dionísio paixão!
É o que eu peço,
em todas as noites de festa!"