domingo, setembro 25

sameness

fico reparando, enquanto ando de metrô, ando nas ruas, pego o ônibus... e ninguém parece perceber que estão vivendo no automático
seguem o fluxo ditado para seus dias
começam em casa acordando na hora que não gostariam de estar levantando, rotineiramente preparam seus cafés, escolhem suas roupas e vão para o banho, sem antes acessar o seu e mail ou face book, do computador ou celular. prontos, vestem suas fantasias e partem.
no trânsito, cada um no seu carro, no seu mundo, com seu refúgio, com a sua música, dentro da sua mente.
me dá a sensação de que ali, dentro do carro, é o único lugar que se parece conseguir estar sozinho. mas é só uma percepção estranha, pois ao olhar para o lado, estarão outros milhares iguais a você. todos sozinho juntos.
em metrôs e ônibus a situação é a mesma, enfileirados em escadas rolantes destinados à produção. seguindo o curso inevitável da fábrica do medo.
e chegam nos seus respectivos trabalhos, escolas, academias. começam a realizar a mesma rotina, os mesmos hábitos, cumprimentando as mesmas pessoas do mesmo jeito.
chega a hora do almoço e é só sentar na entrada de um shopping que você encontra toda essa mesmice ganhando forma. durante os 20 minutos de almoço conversas são travadas para fazer o tempo passar. e o tempo passa...
voltam para suas cadeiras, a frente de computadores, pilhas de papéis, telefonemas, problemas que são resolvidos seguindo um manual pré determinado. e o tempo passa...
a volta para casa se dá do mesmo jeito da ida.
chegam em suas casas, começam o ritual da noite e vão dormir mais tarde do que gostariam de estar indo dormir.
e no fim todos sonham com um grande amor, todos sonham em um dia trabalhar menos e ganhar mais, em construir uma família.
quando conseguem começam a sonhar com outras coisas, isso acontece porque na verdade programam para si mesmos a vida dos outros. programam para si mesmo as vidas que já foram vividas e que teoricamente "deram certo".

me diz, quando foi que aceitamos seguir esse manual de sucesso criado para nós? e até quando iremos seguir infelizes, iguais, mornos? até quando continuaremos fazendo parte dessas tristes estatísticas?